casamentão

título: casamentão
data de publicação: 28/11/2021
quadro: amor nas redes
hashtag: #casamentao
personagens: carina e um cara

TRANSCRIÇÃO

[vinheta] Amor nas Redes, sua história é contada aqui. [vinheta]

Déia Freitas: Oi, gente… Cheguei, e hoje eu cheguei para um Amor nas Redes. Eu vou contar pra vocês a história da Karina. Então vamos lá, vamos de história. 

[trilha]

A Karina conheceu um cara antes da pandemia, — Tipo, um ano e meio antes. — e eles começaram a namorar. E o namoro ia muito bem assim, um cara muito bacana real assim… E chegamos à pandemia e esse cara convidou a Karina para morar com ele. Estava dando tudo certo… — A gente sabe que muitos casais se separaram aí na pandemia, né? Pelo excesso de convivência, enfim, várias coisas. — Mas a Karina não, a Karina e esse cara, conforme o tempo ia passando, eles ficavam mais unidos e mais companheiros. — E aí agora eu preciso falar um pouco do passado da Karina para vocês. —

A Karina ela foi criada somente pelo pai, então até mais ou menos ela ir para a faculdade, era só ela e o pai e a mãe do pai. E aí quando ela foi para a faculdade, o pai dela casou de novo e com uma mulher muito bacana assim, sabe? Então a Karina sempre se deu bem com a madrasta e sempre esteve por ali com o pai, porque, enfim, ela foi criada só por ele… E aí na pandemia, esse casal, — O pai dela e a madrasta. — foram morar com a mãe do pai dela. — Com a avó da Karina. — Para ficar todo mundo ali juntinho e passar por esse período aí todo mundo junto. 

Um dia a Karina recebe um telefonema do pai dela, dizendo que a madrasta não estava muito bem de saúde, que ela estava meio estranha E tal, E aí a Karina fala: “pai, corre com ela para o hospital que, provavelmente, é Covid”. — Estava bem no auge ali da pandemia. — E ele foi e, realmente, era Covid e ela ficou internada. Três dias depois, a mãe do… — Vamos chamar o pai da Karina de seu João. — A mãe do seu João começou também a passar mal, e também foi internada… E o seu João também com o Covid, ficou em casa. — Só que agora ele estava sozinho em casa e ele já é um senhor de idade. — E aí a Karina virou para esse namorado dela e falou: “olha, o meu pai está sozinho lá na cidade dele e eu preciso estar com ele, porque ele está com Covid, eu vou para lá, vou fazer o máximo para não pegar, mas essa não é a minha prioridade assim. Entre ficar afastada, me cuidar e cuidar do meu pai, eu preciso cuidar do meu pai”. 

E aí o cara falou um monte para ela, falou um monte para ela e falou: “Olha, se você sair por essa porta, não precisa voltar mais”. Pois Karina foi lá, fez a malinha dela e foi embora. — Que é o que eu faria também. — Só que ela ficou mal com isso, porque ela estava super apaixonada pelo cara e o cara não compreendeu que ela precisava, naquele momento que o pai dela estava sozinho. E não era um paciente para o hospital, mas era um senhor de idade precisando de auxílio… Ele não entendeu que ela precisava cuidar do próprio pai. — Então a gente já sabe que esse cara aí… Né? A gente já sabe… Não ganhou nem um nome. —

E aí lá foi Karina ficar com o seu João enquanto a avó dela e a madrasta estavam na UTI. Karina foi morar com seu João, foi cuidando dele, ele melhorou e sarou da Covid, só que a madrasta da Karina e a avó da Karina não conseguiram se recuperar e faleceram no hospital. [efeito sonoro de violino] Então foi um baque, porque era o auge da pandemia e ninguém podia ir em velório, nada… Então foi tudo ali só a Karina, porque o pai dela ainda não podia sair de casa, ele estava curado, mas ele ainda estava com falta de ar assim. Ele ficou com algumas sequelas, sabe? Ia precisar fazer fisioterapia, enfim… Então ela que teve que cuidar de tudo e ela que teve que acompanhar o sepultamento da madrasta e da avó dela, sozinha… — Num hospital lotado de gente, de caixões assim, de pessoas que morreram de Covid. Os coveiros sem dar conta, eles todos paramentados assim… Ela falou que foi uma história de terror, real assim. —

E ela ficou muito abalada… E o pai dela muito abalado, porque, né? Perdeu a mãe e a esposa. E aí foi um período, nossa, um período de trevas assim total na vida da Karina e do seu João. E até fevereiro desse ano eles ficaram isolados total, um dando força para o outro, os dois de luto, né? E bem mal assim… Mas aí o tempo foi passando. — E o tempo ameniza bastante a nossa dor. Então, tem coisa que a gente precisa dar um tempo. — E aí quando chegou fevereiro, o pai da Karina falou para ela assim: “olha, agora que as coisas já estão abrindo novamente, eu preciso arrumar um advogado para cuidar do inventário da minha mãe e do inventário da Marta”. — Que seria a madrasta da Karina. —

E aí a Karina falou: “Bom, eu não conheço nenhum, pai, você conhece algum?”, ele falou: “Olha, eu vou ver com os meus amigos”. — Ele já estava agora saindo de máscara, né? — E aí ele falou: “Eu vou ver com os meus amigos se alguém conhece algum para a gente ir”. Aí foi lá ver com os amigos dele se alguém conhecia um advogado, daí o amigo dele, o seu Ernesto, falou: “Olha, meu filho é advogado, eu não sei se ele cuida dessas coisas, mas eu posso te dar o telefone dele”. E aí foi lá, anotou no papel o telefone e deu pro seu João. Seu João chegou em casa e falou: “Karina, esse aqui é o telefone do filho do Ernesto, ele é advogado, liga para ele e pergunta se ele atende esse tipo de casos”. 

Aí ligou no telefone, era um número de telefone fixo… E quem atendeu foi a secretária ali do filho do Ernesto, uma senhora. — E aí a gente vai chamar esse advogado de Murilo. Eu sei que eu não preciso chamar ele de doutor, mas eu quero chamar ele de Doutor Murilo, acho que para a história fica melhor, né? Doutor Murilo. — E aí lá foi Karina marcar uma hora, falou com a secretária ali, ela falou: “ele atende sim e tal”, e aí marcou uma hora com o Doutor Murilo e foi junto com o pai, né? — Porque não ia deixar o pai dela ir sozinho e tal para resolver, quem tomou a frente das coisas foi a Karina. —

E aí chegaram, estão lá sentados na recepção e a moça falou: “Olha, o Doutor Murilo tá terminando uma ligação e já vai atender vocês”. A secretária recebeu ali uma ligaçãozinha no interfone, então o cara já estava chamando e, assim, a Karina distraídassa, conversando com o pai e eles já estavam melhor, já estavam dando risada e tal. E aí quando eles entraram na sala assim, uma sala bonita, com uma mesa de vidro, toda chique e nã nã nã, que a Karina olhou para o Doutor Murilo, o coração dela quase saiu pela boca… Falou que o cara era o gato, gato, gato… E, assim, o seu João todo falante, falando do seu Ernesto que é o amigo dele, “Ah, você é filho do Ernesto, te peguei no colo, te dava pinga no bar quando você criança”. — Sabe essas coisas? — 

E, ao mesmo tempo que a Karina estava olhando para o Doutor Murilo e não conseguia falar nada assim, tava meio hipnotizada, ele também ficou assim totalmente sem foco. — A Karina falou que “Para você ter uma ideia, Déia, eu não lembro o que ele falou nessa primeira reunião e ele não lembra o que ele disse também. O único lúcido na reunião era meu pai” [risos] — E o seu João todo falante lá, explicou o que ele precisava fazer, o Doutor Murilo deu um papel lá com as coisas, documentos que eles precisavam juntar e falou: “Olha, assim que vocês juntarem os documentos, está aqui o meu cartão, tem o meu Whatsapp e vocês me avisem, né? — 

E aí Karina saiu de lá, assim, nas nuvens, mas pensando: “Poxa, esse cara deve ter alguém”. — Não tinha aliança… Mas falou: “Esse cara deve ter alguém, né? Sei lá… — Sei lá, tipo, Kelly saiu nas nuvens. Só que agora ela tinha o WhatsApp dele… O que ela fez? Ela cadastrou o número dele ali no celular dela para ficar olhando a foto. — A foto dele. — Ela correu, juntou todos os documentos e, quando ela já tinha tudo em mãos, ela mandou uma mensagem no WhatsApp do Doutor Murilo, e aí ele respondeu perguntando quem era e tal, e aí ela falou: “olha, aqui é a Karina, eu sou a filha de seu João, que é amigo de seu pai e nã nã nã”, e ele: “Ah, Karina…” — E aí eu falei: “Karina, mas ela não te reconheceu pela foto do WhatsApp”, ela falou: “Não, Andréia, eu uso uma foto de ursinho”, falei: “Por que você usa uma foto de ursinho?” [risos] Põe sua foto aí, né? Foto de ursinho? —

E aí eles começaram a conversar, a Karina foi de novo com o pai, levou a documentação. — Eles conversavam no WhatsApp ali coisas do processo, né? Nunca até então eles tinham falado nada pessoal assim. — Até que um dia, num sábado final de tarde, o Murilo mandou uma música para Karina. — Ela pediu para não falar qual era a música, mas uma música muito, muito, muito romântica. A letra de uma música e o áudio da música. — E aí a Karina respondeu para ele: “Nossa, que música bonita. Amei”. E aí ele respondeu para ela: “Ai, desculpa, eu tenho dois perfis e eu achei que eu estava salvando no meu perfil e mandei para você”. — Abraço, Murilo. Abraço… —

E aí a Karina falou pra ele: “Olha, então não foi pra mim que você mandou? Que pena e nã nã nã”. Então ali Doutor Murilo já viu que ele teria essa abertura. E aí eles começaram a conversar, né? E a coisa fluiu e eles conversaram ali algumas semanas, até que o Doutor Murilo tivesse coragem de chamar a Karina para sair. E aí a Karina foi falar com o pai dela, né? Falou: “Pai, e aí, o filho lá do seu Ernesto tá me chamando para sair”, aí seu João falou: ” Vai, né? Vai… É um menino bom e tal. Ernesto é meu amigo, pode ir, vai lá”. E aí ela começou a sair com o Murilo. Murilo acabou confessando que a música era sim para ela, mas ele não sabia como ela ia reagir, né? Ela podia, sei lá, dar um esporro nele, falar: “Escuta, você é meu advogado, o que você está me mandando música e tal?”, e aí por isso que ele falou que tinha mandado errado. — Achei fofinho até. —

E aí esses dois começaram a sair ali pra março desse ano agora. — E, gente… — Mês passado eles casaram. Eles casaram no papel e tudo. — Que Doutor Murilo é advogado, né? Deve querer tudo aí no papel, certinho. — Estão casados e estão felizes. E aí o que eles fizeram? Eles moram na mesma cidade que o seu João, como o Seu João está sozinho, eles compraram a casa do lado da casa do seu João, e agora a Karina pode cuidar ali do seu João que já está idosinho… E está casada, o Murilo é super de boas com isso, incentiva, inclusive, ela a cuidar do pai. 

Gente, olha só… Ela largou daquele traste, que era um traste, né? Que botou ela na parede no momento que ela, poxa, precisava cuidar do pai dela sozinho com Covid, sabe? E arrumou aí o Doutor Murilo. 

[trilha]

Assinante 1: Oi, gente… Aqui é a Renata do Rio de Janeiro. É até bom ouvir uma história como a do Murilo e da Karina pra gente não perder a esperança hoje em dia, né? De tempos melhores e de amores aí que dão certo e que tem um final feliz. Em tempos difíceis como o que a gente anda vivendo, ouvir histórias como essa acalenta o coração e dá esperança pra gente aí de ver de que o amor ainda vence. [risos] Um abraço para os dois e que sejam muito felizes. 

Assinante 2: Oi, pessoal, oi, Déia, aqui é a Gisele de São Paulo. Ai, achei uma fofura a história da Karina com o Murilo, muito comum, inclusive, né? Os advogados acabarem por conhecer também os seus clientes se envolvendo. E fico muito feliz que tenha dado certo e que ele seja um parceiro aí que respeita e entende a sua dedicação à sua família e a seu pai. E que esse seja o começo de uma vida muito longa e muito feliz juntos, viu? Um beijão para todo mundo. Essas histórinhas aquecem o coração, muito gostoso. Tchau, tchau. 

Déia Freitas: Então é isso, gente, essa é a história da Karina, uma história de amor, né? Que começou com outro romance, mas agora a gente tem aí um final feliz. Seu João recuperado da Covid e Karina casada com Doutor Murilo. Então é isso, gente, um beijo e eu volto em breve. 

[vinheta] Quer sua história contada aqui? Escreva para naoinviabilize@gmail.com. Amor nas Redes é um quadro do canal Não Inviabilize. [vinheta]

Ai, gente! Apaixonada pelo casamentao. Que história delicia! Como amo um podcast! :purple_heart:

Só morrendo de amor com a história casamentao